Dia Mundial do Câncer: conheça cinco avanços que estão mudando a forma de prevenir, diagnosticar e tratar o câncer

Especialista destaca como a incorporação de novas tecnologias à oncologia tem ampliado as possibilidades de cuidado, com diagnósticos mais precoces, terapias de alta precisão e estratégias cada vez mais personalizadas ao longo de toda a jornada do paciente

 

O Dia Mundial do Câncer, 4 de fevereiro, é dedicado à conscientização e ao enfrentamento da doença em escala global. A data busca mobilizar a sociedade, profissionais de saúde e formuladores de políticas públicas, reforçando a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do acesso a tratamentos cada vez mais eficazes. Também chama atenção para os avanços da oncologia, que nos últimos anos passaram a transformar de forma significativa o cuidado ao paciente.

No Brasil, a estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) é de que mais de 600 mil novos casos da doença tenham sido diagnosticados somente em 2025. Ao mesmo tempo, a incorporação de novas tecnologias tem ampliado de forma consistente as possibilidades de controle e cura, principalmente quando o câncer é identificado em estágios iniciais.

“Hoje, em diversos tipos de tumor, o diagnóstico precoce pode representar chances de cura superiores a 90%. A evolução das tecnologias diagnósticas e terapêuticas tem sido determinante para intervenções mais precisas e personalizadas, com impacto direto nos resultados clínicos e na qualidade de vida dos pacientes”, afirma o médico oncologista Leandro Lemos, diretor médico da Croma Oncologia.

Esse cenário reflete uma mudança estrutural na oncologia, que passa a considerar o paciente de forma integral, desde a identificação de riscos e sinais iniciais até decisões terapêuticas cada vez mais individualizadas. A seguir, o médico destaca cinco avanços que simbolizam essa transformação no enfrentamento do câncer.

1. Imunoterapia além dos checkpoints clássicos
A imunoterapia já faz parte do tratamento padrão de vários tipos de câncer. Entre os principais avanços estão medicamentos que atuam sobre mecanismos chamados PD-1, PD-L1, CTLA-4 e LAG3, que funcionam como “freios” do sistema imunológico. Ao bloquear esses freios, o organismo passa a reconhecer e atacar melhor as células do tumor.

Esses tratamentos podem ser usados sozinhos ou combinados com quimioterapia e terapias-alvo. Os avanços mais recentes incluem a personalização da imunoterapia com base em características do tumor e estratégias que atuam no ambiente ao redor do câncer, tornando a resposta mais eficaz. Estudos mostram aumento da sobrevida e controle mais duradouro da doença, especialmente quando a indicação do tratamento é guiada por biomarcadores.

2. Terapias celulares como as CAR-T
As terapias celulares CAR-T (Chimeric Antigen Receptor T-cell) representam um dos avanços mais transformadores da oncologia. Nesse tipo de tratamento, células de defesa do próprio paciente são usadas para combater o câncer. Essas células são retiradas do sangue, ajustadas em laboratório para reconhecer o tumor e, depois, devolvidas ao corpo para atacar a doença de forma direcionada.

As versões mais recentes, chamadas de CAR-T de segunda e terceira gerações, tornaram o tratamento mais eficaz e com respostas mais duradouras. Hoje, essa terapia é usada principalmente em cânceres do sangue, como linfomas, leucemias e mieloma múltiplo, e está em estudo para outros tipos de tumor.
Os resultados são mais evidentes em pacientes que não responderam a tratamentos anteriores. Nesses casos, as CAR-T têm provocado respostas profundas e mudado o prognóstico, oferecendo uma alternativa onde antes quase não havia opções.

3. Anticorpos biespecíficos
Os anticorpos biespecíficos são medicamentos que ajudam o próprio sistema imunológico a combater o câncer ao aproximar as células de defesa, chamadas células T, das células do tumor. Eles funcionam como uma “ponte”, ligando diretamente a defesa do organismo ao câncer para facilitar o ataque.

Diferentemente das terapias celulares, esses anticorpos já vêm prontos para uso, o que torna o tratamento mais simples do ponto de vista logístico. Em alguns cenários clínicos, os resultados observados são semelhantes aos das terapias CAR-T, ampliando o acesso a tratamentos imunológicos avançados para mais pacientes.

4. Anticorpos droga-conjugados (ADCs)
Os anticorpos droga-conjugados são medicamentos que combinam duas estratégias em um único tratamento. Eles usam um anticorpo para reconhecer a célula do câncer e, ao mesmo tempo, levam até ela uma droga quimioterápica, que é liberada de forma mais direcionada no tumor.

Com o aprimoramento dos alvos, dos ligantes que conectam o anticorpo à droga e das substâncias utilizadas para destruir as células tumorais, esses tratamentos se consolidaram tanto em tumores sólidos quanto em cânceres do sangue. Essa precisão permite atacar o câncer de forma mais eficiente, com menor impacto sobre células saudáveis.
Na prática, isso se traduz em um melhor equilíbrio entre eficácia e segurança do tratamento, além do potencial de contornar mecanismos de resistência que limitam outros tipos de terapia.

5. Medicina de precisão e oncologia personalizada
A medicina de precisão permite que o tratamento do câncer seja definido a partir das características específicas de cada tumor. Para isso, os médicos utilizam exames que identificam alterações genéticas e moleculares, como testes genômicos avançados, biomarcadores e a chamada biópsia líquida, feita a partir do sangue.

Com essas informações, é possível indicar terapias mais eficazes para cada perfil de paciente, inclusive em casos em que o tratamento não depende do órgão onde o câncer surgiu, mas das alterações presentes no tumor. Essa abordagem aumenta as chances de resposta ao tratamento e evita o uso de terapias que não trariam benefício, tornando o cuidado mais preciso e personalizado.

Para o Dr. Leandro, os avanços da oncologia representam uma mudança estrutural no cuidado ao paciente com câncer. Segundo ele, o tratamento hoje é baseado em decisões cada vez mais personalizadas, sustentadas por ciência, tecnologia e, principalmente, pela atuação integrada de uma equipe multidisciplinar. “O cuidado oncológico deixou de ser centrado em uma única especialidade. Ele exige a participação coordenada de oncologistas, cirurgiões, radiologistas, patologistas, equipe de enfermagem, psicologia, nutrição, fisioterapia e outros profissionais, que acompanham o paciente durante toda a jornada. Essa integração é fundamental para garantir escolhas terapêuticas mais precisas, seguras e alinhadas às reais necessidades de cada pessoa”, finaliza.

 

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By Saudável Todo Dia

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