Os medicamentos biossimilares vêm ganhando espaço no Brasil e se consolidam como uma das principais apostas da biotecnologia para ampliar o acesso a tratamentos de alta complexidade. Desenvolvidos para reproduzir a eficácia e a segurança de medicamentos biológicos cujas patentes já expiraram, esses produtos têm contribuído para expandir a disponibilidade de terapias contra doenças como câncer, diabetes e enfermidades autoimunes — muitas vezes com custos inferiores aos dos medicamentos de referência.
Segundo o Anuário Estatístico do Mercado Farmacêutico da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o Brasil já ocupa a quinta posição entre os maiores mercados globais de biossimilares, movimentando cerca de R$ 48,5 bilhões em 2024¹. O avanço também é acompanhado por melhorias no ambiente regulatório, como a atualização das normas da Anvisa que simplificam o registro e o desenvolvimento desses medicamentos no país².
“Os biossimilares representam uma oportunidade importante para fortalecer a capacidade produtiva do Brasil em medicamentos biológicos e ampliar a disponibilidade de terapias no sistema de saúde”, afirma Marcos Calgaro, diretor de Bioprodução da Thermo Fisher Scientific na América Latina. Segundo o executivo, isso ocorre porque esses medicamentos são produzidos a partir de células vivas, em processos biotecnológicos complexos que exigem infraestrutura avançada e tecnologias de bioprodução.
Entre as principais inovações estão os novos biorreatores — equipamentos utilizados para cultivar células em ambiente controlado e produzir as moléculas terapêuticas que dão origem aos medicamentos. Tecnologias recentes de biorreatores de uso único e design otimizado já permitem ganhos significativos de produtividade e eficiência industrial.
De acordo com dados técnicos da Thermo Fisher Scientific, líder em servir a ciência e que atua em todas as fases do ciclo de vida do fármaco, desde pesquisa e desenvolvimento até a comercialização e produção, novas soluções de bioprodução podem aumentar em até 50% a produtividade no mesmo espaço físico, além de reduzir em até 27% a geração de resíduos em comparação com sistemas tradicionais. Avanços em meios e suplementos celulares também têm contribuído para aumentar a eficiência dos processos, com formulações mais precisas e livres de ingredientes de origem animal.
Testes recentes indicam que melhorias nesses sistemas podem elevar em até 44% a produtividade na fabricação de anticorpos monoclonais — proteínas terapêuticas amplamente utilizadas em biossimilares — mantendo a qualidade nas principais linhagens celulares utilizadas pela indústria³.
“O avanço tecnológico na bioprodução tem papel central nesse processo. Hoje já contamos com tecnologias capazes de otimizar processos industriais e ampliar a escala de produção, permitindo que mais medicamentos cheguem aos pacientes com maior rapidez e menor custo. Com investimentos contínuos em ciência, inovação e capacitação profissional, o Brasil tem condições de se consolidar como um polo de biotecnologia na América Latina”, conclui Calgaro.
Referências
- Panorama Farmacêutico – “Brasil é quinto maior mercado global de biossimilares” (set/2025)
- Anvisa – “Novo regulamento para registro de medicamentos biossimilares” (mai/2024)
- Gibco Efficient-Pro Media and Feeds System — Thermo Fisher Scientific
Verena Carneiro 11995498425 [email protected]





