Por: Júlia Reyes
Na rotina intensa de uma unidade neonatal, cada detalhe pode significar a diferença entre a saúde e o risco para um recém-nascido. Entre os principais cuidados está a avaliação da icterícia, condição caracterizada pelo amarelamento da pele causado pelo aumento da bilirrubina no sangue. Presente em muitos bebês nos primeiros dias de vida, a icterícia exige monitoramento rigoroso para evitar complicações graves, como o kernicterus, que pode causar danos neurológicos irreversíveis, paralisia cerebral, surdez e retardo mental.
Há mais de dez anos atuando no Hospital das Clínicas de Pernambuco, a neonatologista Dra. Carla Montenegro Dias tem sido uma das principais responsáveis pela modernização desse cuidado. Mestre e preceptora, ela também dedica parte da sua rotina à formação de estudantes de Medicina e médicos residentes em Pediatria e Neonatologia.
“A icterícia é comum, mas nunca pode ser tratada como algo simples demais. Cada bebê precisa ser avaliado com atenção”, afirma a médica.
Segundo os protocolos, o exame físico deve ser realizado diariamente até a alta hospitalar. Quando há sinais visíveis de icterícia intensa, são indicadas medições objetivas, por meio da bilirrubina transcutânea ou sérica. Em casos mais graves, pode ser necessária a troca parcial do sangue do bebê, uma técnica mais invasiva chamada exsanguineotransfusão.
Atenta à necessidade de tornar esse processo mais seguro e menos invasivo, Dra. Carla liderou uma mobilização interna que resultou na aquisição de um bilirrubinômetro para a unidade. A iniciativa reduziu significativamente a necessidade de coletas de sangue nos recém-nascidos.
“Eu sempre defendi que poderíamos cuidar melhor dos bebês com mais tecnologia. Hoje, conseguimos evitar muitos procedimentos dolorosos”, destaca.
O equipamento utiliza feixes de luz aplicados na pele do bebê, geralmente na testa e no tórax, fornecendo resultados rápidos e confiáveis. A adoção dessa tecnologia trouxe impactos diretos na rotina hospitalar, como a redução do tempo de internação e dos custos assistenciais.
“Quando diminuímos o tempo de internamento, ganhamos em todos os sentidos: o bebê vai para casa mais cedo, a mãe fica mais tranquila e o hospital consegue atender mais famílias”, explica.
Outro ponto ressaltado pela especialista é que a avaliação clínica isolada não é suficiente, especialmente em bebês com pele mais escura ou mais avermelhada, nos quais a icterícia pode ser menos perceptível.
“Confiar apenas no olhar, às vezes, é arriscado. Muitas vezes, a confirmação com exames é fundamental para evitar erros”, alerta.
Os níveis de bilirrubina são analisados de acordo com a idade do recém-nascido em horas e protocolos baseados na Academia Americana de Pediatria e Sociedade Brasileira de Pediatria, que orientam a necessidade de tratamentos como a fototerapia. Em casos de risco elevado, a alta hospitalar deve ser adiada, e o retorno ao pediatra deve ocorrer entre 48 e 72 horas após a saída.
Após o sucesso da primeira implantação, a Dra. Carla segue trabalhando para ampliar o número de aparelhos disponíveis na unidade.
“Cada bilirrubinômetro representa menos sofrimento, mais segurança e mais qualidade de vida para os bebês”, ressalta.
Com uma atuação marcada pela liderança, inovação e compromisso com a saúde neonatal, a Dra. Carla Montenegro Dias se consolida como uma das principais referências na defesa de um cuidado mais humano, moderno e eficiente para recém-nascidos em Pernambuco.





